PAI, QUANDO DRUMMOND FEZ PARA TI UMA POESIA, EM RETRIBUIÇÃO À HOMENAGEM QUE FIZESTE PARA ELE EM SEUS OITENTA ANOS, TIVE MUITO ORGULHO DE DIVULGAR ESTE FEITO A TODOS OS MEUS AMIGOS!!!
HOJE SERIA TEU ANIVERSÁRIO, O PRIMEIRO SEM TÊ-LO CONOSCO...
NÃO CONSEGUI ESCREVER NADA... MEU CORAÇÃO ESTÁ DILACERADO!
MAS O NOSSO MESTRE, SOUBE EXPRESSAR A DOR DA AUSÊNCIA EM SEUS VERSOS, OS QUAIS DEDICO NESTA MANHÃ AO MEU POETA IMORTAL:
A Um Ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
POETAR É PRECISO
"...eu vou fazendo a minha poesia,
vivendo a todo instante essa magia
de transformar a dor em sorriso.
E faço isso porque simplesmente
não consigo tirar da minha mente
que, com certeza, poetar é preciso."
(Poetar é Preciso)
Raimundo Zurel
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
UM POETA NÃO MORRE
HOJE FAZ UM MÊS QUE ELE PARTIU
E TRINTA E OITO ANOS QUE NA MATERNIDADE ELE OUVIU:
“- SUA CAÇULA NASCEU, É UMA MENINA!”
O DIA AMANHECEU DIFERENTE...
ESTAR VIVA E COM MINHA FAMÍLIA ME DEIXA CONTENTE,
MAS UM VAZIO NO MEU PEITO AINDA PREDOMINA.
ÀS SEIS HORAS ELE NÃO LIGOU, NÃO OUVI SUA VOZ,
O TELEFONE NÃO TOCOU, SENTI UMA DOR INTENSA,
UMA TRISTEZA ATROZ!
SEI QUE UM DIA ESSA DOR VAI MINIMIZAR,
SENTIREI SUA FALTA, MAS NÃO IREI MAIS CHORAR...
NO ENTANTO, AINDA É CEDO PRA ME ACOSTUMAR!
ACEITAR SUA AUSÊNCIA É UMA TAREFA SOMBRIA,
POIS MESMO DISTANTES EU SEMPRE SABIA
QUE SE FOSSE PRECISO, SENTISSE SAUDADES,
EU APENAS LIGARIA E DO OUTRO LADO DA LINHA
SUA VOZ INCONFUNDÍVEL OUVIRIA...
MAS ELE NÃO PARTIU, OU NÃO SE FOI SIMPLESMENTE,
POIS “UM POETA NÃO MORRE”, VIVE ETERNAMENTE!
E SE DESCE À TERRA VIRA UMA SEMENTE CUJOS FRUTOS:
VERSOS E PROSAS BROTARÃO COMO RAMOS DE ROSAS
PRA ENFEITAR A VIDA E ALEGRAR A ALMA
TRAZENDO ALENTO, ALEGRIA E CALMA
AOS SEUS FILHOS, AMIGOS E PARENTES.
HOJE COMPLETO MAIS UMA PRIMAVERA
E SE NÃO O TENHO AO MEU LADO COMO QUISERA,
TENHO NO CORAÇÃO O ORGULHO DE SER SUA FILHA
E DE FAZER PARTE DE UMA LINDA FAMÍLIA QUE,
CERTAMENTE, FARÁ COM QUE ESTA DOR QUE SINTO AGORA
SEJA SUPLANTADA PELO AMOR QUE A TODA HORA
ELES DEMONSTRAM COMO O SOL QUE SEMPRE BRILHA!
Rejane Borges Berbet
25/02/2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
MEU GRANDE AMOR
Procurava um grande amor...
Capaz de falar-me sem palavras,
Consolar-me sem esforço,
Compreender-me sem circunstâncias,
Moldar-me sem transtornos.
Procurava um grande amor...
Que me conhecesse por dentro,
Que me amasse por fora,
Que me acariciasse com palavras.
Procurava um grande amor...
De pequenos gestos,
De grandes sonhos,
De alma clara, translúcida!
Procurava um grande amor...
Que de tão grande, ocupasse todo o vazio
Do meu coração,
Que de tão simples, elucidasse todas as minhas dúvidas,
Que de tão forte, abrandasse todos os meus temores!
Procurava um grande amor...
Encontrei você!
Rejane B. Berbet (a filha do Poeta)
AO VERDADEIRO AMIGO
O verdadeiro amigo expressa seus sentimentos sem culpa,
Reconhece suas fraquezas e busca a força de seu semelhante.
Pede perdão e sabe perdoar...
Impõe limites, mas sabe revogar.
Admite a solidão quando busca no outro a companhia certa,
Sabe chorar de alegria e tenta sorrir na adversidade...
Compartilha intensamente cada momento,
consciente de que ele é único!
O verdadeiro amigo está sempre presente,
ainda que o abismo da distância os separe...
Somos amigos, em qualquer circunstância,
superando os limites do tempo e da distância e
aguardando o momento em que iremos nos separar.
Somos amigos, pois juntos fizemos história
Isto levaremos na memória...
E nada será capaz de apagar!
Rejane Borges Berbet (a filha do Poeta)
SOU CONTRA
Ouvi um dia alguém me perguntar:
“Você sempre votou na oposição”,
Mas se um dia a oposição ganhar
então você será situação?”
Então a esse amigo respondi:
“Em nenhum lado estou, nem cá nem lá”,
Porque com certeza, eu já me decidi:
- “yo soy contra se hay gobierno acá!”
Jamais me filiei a algum partido,
Pois não quero arrepender-me ou sentir asco;
No futebol sou torcedor contido,
Embora torça sempre pelo Vasco.
Fui contra a guerra do Vietnã
E contra os russos lá em Budapeste,
Sou contra a invasão de Taiwan
E a favor dos índios no “far west”.
Sou contra a escravidão que ainda existe,
Sou contra o dever sem o direito;
A cada dia eu fico mais triste
Quando vejo que ainda existe o preconceito.
Sou contra o machismo, que é bobagem,
Contra homem ser mais que mulher;
Sou contra aquele que não tem coragem
De lutar por tudo aquilo que ele quer.
Sou contra os criminosos em geral
Não apenas contra o negro marginal,
Contra também o “colarinho branco”,
Sou contra que haja gente analfabeta,
Sou contra o que olha, mas não vê,
Pois o pior analfabeto, disse o poeta,
“É o que sabe ler, porém não lê”.
Sou contra tanta coisa neste mundo
Que por isso sigo contrariando;
Sou contra até meu nome ser Raimundo,
Sou contra até mim mesmo, vez em quando.
Raimundo Zurel
HIPOCRISIA
Eu vi uma criança no portão
Pedindo um pouco de comida
E a mulher gorda a lhe negar a vida,
Da janela, dizendo-lhe que não...
Pouco depois, à mesa, agradecida,
Orava a Deus ao repartir o pão...
Eu vi um homem branco proclamar:
“Já não existe discriminação”,
“O preconceito não existe, não,
O negro tem direito ao seu lugar –
Só não pode é querer ser meu irmão
Ou com minha filha se casar!”
Vi o ministro na televisão –
“Todos devem poupar” – ele dizia.
Não lembro o ano, o mês, o dia...
Confesso que doeu-me o coração
Ao ver na sua fala a hipocrisia
Proclamando o termino da inflação.
Eu vi e ainda vejo todo dia
Uma porção de gente a reclamar
Contra aqueles que dizem, vão salvar...
A pátria, em pura e vã demagogia.
Bom mesmo é jamais acreditar,
Pois não passa de pura hipocrisia!
Raimundo Zurel
Vila-Velha/ES, 08/08/1995.
Assinar:
Comentários (Atom)
