POETAR É PRECISO

"...eu vou fazendo a minha poesia,
vivendo a todo instante essa magia
de transformar a dor em sorriso.
E faço isso porque simplesmente
não consigo tirar da minha mente
que, com certeza, poetar é preciso."
(Poetar é Preciso)

Raimundo Zurel

sexta-feira, 30 de agosto de 2013


É, pai...
Amanhã irei à Bienal e seu livro não estará lá, nem tampouco o meu poeta para autografa-lo.
Sonhamos juntos com esse dia, mas Deus tinha outros planos!
Saudades e orgulho sempre, meu coroa!
Melancólicas noites do inverno sentimental

E a solidão o levou ao seu desespero
Minha saída...refletiu ele:
"Será transformar as turbulentas águas oceânicas
em meu leito do eterno e intenso sono da morte?"
E quando seus cansados pés tocaram a límpida areia
que embaçava seu túmulo...
Estendeu seus braços e sentiu aquela calma e fria brisa que o abraçava 
E então sentiu como se ela devorasse seu corpo,
reconstituindo os pedaços de sua alma 
já destruída pela sua desgraça...
Suas decepções...   
Melancólicas noites do inverno sentimental...

Aline Maria - Turma 901 - EDES

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Versos da alma


Se alguém perguntar a um poeta
se é difícil fazer odes ou hinos,
se é difícil ser puro, ser esteta
na construção de bons alexandrinos...

Se alguém, por acaso perguntar
a um poeta, se é difícil fazer rimas,
juntar palavras, ritmar, metrificar
e conseguir com elas obras primas...

Ele, por certo há de responder:
versos bonitos, puros e corretos
não são assim difícieis de fazer.

O mais difícil é manter a calma
tendo dentro da gente eternamente
os versos que não saem, os versos da alma.
Nor-destino


Nascer pobre dentro de uma rede,
Num peito seco a matar a sede,
Ser para sempre um pobre menino,
Sonhar com São Paulo ou com o Rio,
viver sempre a sofrer, anos a fio,
Será que é isso o nor-destino?

Não é só isso, é fazer baião
como fazia o grande Gonzagão,
É fazer da poesia um hino
como Suassuna, o vate do Nordeste
Ou o repentista, o bom cabra da peste,
Isto também, decerto é nor-destino.

Ser nordestino é nascer baiano,
Alagoano, cearense, sergipano
E é o que sempre fui desde menino;
É ter orgulho de lá ter nascido
E apesar de no Rio ter vivido
Ter sempre a honra de ser nor-destino.



Ser poeta
A minha testa
Sempre me atesta
Que se há uma festa
Eu faço a festa.
Meu universo
è bem diverso
E se é adverso
Eu faço um verso.
Se algo me afeta
Para tingir minha meta
Nada mesmo me deleta
Eu sou poeta.


Oitenta Anos

A Carlos Drummond de Andrade



Ter oitenta anos bem vividos,
Inda que sofridos,
de poesia plenos,
nem todos tão serenos...
Ter visto passarem duas guerras
que encheram o mundo de pranto
e algumas revoluções,
umas de verdade, outras nem tanto...
Ter sido brasileiro oitenta anos,
apesar dos pesares,
vivendo os bons momentos
e aguentando os azares
(que poucos não têm sido)
e ter  este Brasil durante tanto tempo
da poesia e beleza enchido...
Ter oitenta anos e ter encontrado
algumas pedras no meio do caminho
e ter ainda assim sobrenadado
e vencido a procela e o redemoinho...
Ter oitenta e ter sido esteta
e ter amado e trabalhado as letras
num mundo onde poeta
nem sempre é compreendido...
Ter oitenta anos
é sobretudo ter vivido!
Mas ter oitenta anos e ser
mais que um poeta, O POETA
e ter sido sempre
não apenas mais um, porém o BOM
é ter oitenta anos e além disso
se chamar DRUMMOND!.