Ligando o rico ao pobre,
O plebeu ao nobre,
O ouro ao cobre,
Ela segue, ela vai.
Unindo a fábrica ao banco,
A alameda ao barranco,
O que é falso ao que é franco,
O que sobe, o que cai.
Em um ponto, uma festa,
Adianta a seresta,
Mais além, uma fresta
Pra miséria se ver.
É possível que venha,
Através de uma senha,
Lá do alto da Penha,
“nossa mãe” nos socorrer!
A ciência que é luz
Vem lá da Fiocruz,
Contra a dor, contra o puz,
Sempre pronta a curar.
Do outro lado o bandido
é um corpo caído,
por uma bala ferido
que o irá liquidar...
Ela é rápida, é ligeira,
É Méier, Bonsucesso, Madureira,
É supermercado, ela é feira
É motel, é prostituição.
Liga a cidade ao interior,
Ela é paz, ela é amor,
É ateísmo, é relegião.
É reclamar do troco, o trocador,
O motorista a sofrer com o calor,
É o engarrafamento, que horror!
É o cotidiano, o dia-a-dia.
Isso acontece dia, mês, ano,
E nunca fez com que o ser humano
Que por lá transita, perca a alegria.
É às vezes, uma porta, uma janela
Numa casinha de favela
E outras vezes, uma casa muito bela,
Porque ela é mesmo assim.
É um Mc’Donalds, um Bobs, um barzinho,
É um travesti a se sentir sozinho,
É a mulher com seu namoradinho,
Ela é neutra, ela é boa, ela é ruim.
Quem passa por seu comprimento imenso,
Sempre está conturbado, sempre intenso,
Ou está calmo ou está muito tenso,
Mas está sempre o pensamento a mil.
Sabe estar vendo, com certeza,
Ao lado da dor e da tristeza,
Também uma dose de beleza,
Sabe que está na Avenida Brasil.
Raimundo Zurel
Itaboraí-RJ, 21/10/2000.
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