Eu vi um homem a buscar comida;
Não era num mercado, mas no lixo.
Estava tão magro, sujo, desgrenhado,
Não parecia um homem, mas um bicho!
Via uma menina ainda na idade
Em que brincar e sonhar é natural,
A chorar por ter sido violentada...
Teria sido um homem ou um animal?
Vi o trabalhador sempre a sonhar
Em melhorar de vida, uma quimera,
Ser cruelmente morto, assassinado,
Não por um homem, mas por uma fera!
Eu vi na fila o velho aposentado
E vislumbrei o sofrimento atroz
De quem está sujeito à lei dos homens,
Lei da selva, estúpida e feroz!
Vi o aidético e a prostituta,
Eu vi o negro e o homossexual
Serem tratados pelo “ser humano”
Como ele não trata um animal...
Vi a doença, a miséria, a fome,
Onde eu buscava o bem, só vi o mal.
Em toda a parte eu procurei o homem,
E só encontrei um ser irracional!
E para esquecer tudo o que vi
Só me resta agora uma esperança:
Afastar o bicho-homem que há em mim,
Deixar prevalecer o meu eu-criança!
Raimundo Zurel
Vila-Velha/ES, 23/01/1995.
Nenhum comentário:
Postar um comentário