Eu me olho no espelho
e vejo apenas o que quero.
O Narciso que há em mim
não vê defeitos,
não vê rugas, nem manias, nem trejeitos,
não vejo o encanecer que já existe
e que faz qualquer homem ficar triste...
Eu nem sinto que estou ficando velho
quando me olho no espelho...
Eu me afasto do espelho
e olho para dentro de mim mesmo;
Narciso parte e então, nesse momento
eu fico sozinho...
E me vejo medíocre, mesquinho,
com muitos vícios e virtudes poucas,
com atitudes insensatas, loucas...
E só então eu vejo, angustiado,
que o espelho mentiu, fui enganado...
Raimundo Zurel
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